O impeachment da Dilma é uma necessidade; a posse do Temer segue a linha constitucional, mas representa uma temeridade, pela quantidade de suspeitas e acusações contra ele mesmo e seu grupo partidário (PMDB).

As obras civis da usina de Belo Monte foram contratadas por R$ 14,5 bilhões, dos quais 1% teria sido destinado a propinas para políticos do PT e do PMDB, segundo a versão de executivos da Andrade. O valor do suborno, de acordo com essa versão, foi de R$ 140 milhões. Também houve corrupção no Complexo Petroquímico do RJ.

Os depoimentos dos executivos da Gutierrez (que devem ser provados, para ter validade jurídica) atingem frontalmente as campanhas eleitorais de Dilma Rousseff e Michel Temer (PMDB), em 2010 e em 2014. Isso significa que a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE vai se tornando absolutamente inevitável.

Os executivos da construtora relatam que as “doações eleitorais” aos partidos ajudados decorriam de propinas das obras realizadas. Isso significa lavagem de dinheiro, ou seja, campanhas criminosas inclusive “dentro da lei”. As “doações”, embora tivessem uma aparência de legalidade, visavam à obtenção de vantagens indevidas nas licitações. É preciso acelerar o julgamento no TSE, porque o crime está na base também na eleição de 2014.

Para nós que combatemos a corrupção de todos, não deste ou daquele político ou partido, a luta não vai parar. Sem faxina geral o Brasil continuará sendo o gigante de sempre, porém, deitado em berço esplêndido.

Por 38 votos contra 27, a Comissão Especial da Câmara deu sinal verde para o prosseguimento do impeachment da presidente(a) Dilma. É a primeira votação de quatro (duas na Câmara e duas no Senado). O processo de impeachment possui 3 etapas: autorização, abertura do processo e julgamento. A primeira é ato da Câmara. As 2 últimas são atos do Senado. O afastamento provisório do presidente (por 180 dias) só pode ocorrer depois da 1ª votação no Senado. A destituição do cargo só acontece depois da 2ª votação neste mesmo local.

A corrupção do lulopetismo e aliados mobilizou milhões de pessoas, que foram às ruas protestar. Vejo nisso cidadania, mas isso não pode ocorrer apenas contra a corrupção da esquerda. Para os que lutam de verdade contra a corrupção, não importa se o corrupto é de esquerda ou de direita (seja liberal ou patrimonialista). Todos os agentes públicos devem prestar contas ao país.

Mas, olho no lance: matéria do O Globo informa que em 2015 foram apresentadas 200 proposições legislativas para mudar a regulação jurídica da corrupção. Muitos desses projetos fazem parte da Operação Abafa Tudo, que tenta dificultar as investigações criminais da Lava Jato ou criar regras que suavizam as punições dos corruptos.

Operação “Lava Castas”: A crise ética atinge toda América Latina, pouco importando se o agente da casta poderosa é de direita ou de esquerda. Depois que se constatou o nome do presidente da Argentina, Macri, no megavazamento Panama Papers, já se fala numa “Lei do Arrependimento” naquele país, algo parecido com a lei de anistia penal aprovada há pouco no Brasil para “repatriar” recursos enviados criminosamente para o exterior (políticos e macroempresários serão certamente os maiores beneficiários dessa medida “justa”).

A Lava Jato é um bom produto de exportação, mas querem mesmo copiar a “Lava Castas” (leis que anistiam as estrepolias tradicionais das castas intocáveis). As indecentes leis de anistia do Berlusconi na Itália, no tempo da Mãos Limpas, virarão gibi infantil. A América Latina muitas vezes se mostra “mais criativa” que a península itálica. Suas castas poderosas intocáveis operam frequentemente com muito mais liberdade de ação.

As castas corruptas disputam o poder pelo poder (e pelo dinheiro): Nossa posição firme de proscrição das práticas indecentes da República Velhaca (1985-2016) significa banir e evitar todas as ações destrutivas levadas a cabo pelas castas dominantes em cada período (castas políticas, administrativas, jurídicas, econômicas, financeiras e corporativas), de esquerda, de centro ou de direita, que se esmeram, na disputa do poder, em falsificações, conluios e favorecimentos, calúnias e injúrias, raiva e violência, tumulto e desordem, vias de fato e chingamentos, sem contar suas incontáveis trapaças e falcatruas (ver J. F. Lisboa, Timon).

Suas escolhas, com frequência, são as mais vergonhosas e deploráveis que possam ser imaginadas, mesmo quando fazem o correto, como é o caso, agora, do impeachment de Dilma, que será aprovado, sob a presidência do sonegador e evasor fiscal Eduardo Cunha, por uma quantidade imensa de suspeitos de praticarem as bandalheiras mais deprimentes da vida pública brasileira. Não é a exemplaridade a marca distintiva dessas castas intocáveis, que vicejam acima de tudo e de todos com suas internas infâmias e caprichos, externalizadas durante a disputa do poder (pelo poder e pelo dinheiro).

 

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