Luiz Flávio Gomes

 

Na alegoria da caverna, descrita por Platão, tudo que é falado na primeira pessoa pertence a Sócrates e seus interlocutores (Glauco e Adimanto). Ela revela o quanto é importante a busca do conhecimento (tal como fazem os filósofos), que é a antítese da visão do ignorante, que se satisfaz com o senso comum (ignorância autossatisfeita, muitas vezes). O mar nos convida sempre a também nos transformarmos em marinheiros. Para isso devemos fazer uso da consciência (conhecimento) e da razão. O conhecimento é a descoberta, é o que vê, é o que reconhece as coisas existentes. A razão é a que classifica, que define, que divide, que delimita os conceitos, por meios dos quais identificamos as coisas. A razão se expressa por meio da linguagem. A ignorância afeta nossa alma porque ela somente consegue expressar aquilo que os sentidos possibilitam reconhecer. Aqui brilha pela ausência a razão, ou seja, o mundo das ideias, defendido por Platão, que vai muito além das coisas sensíveis. A realidade está no mundo das ideias (mundo real e verdadeiro, dizia Platão), mas a maioria da humanidade vive na condição de ignorância, isto é, das coisas sensíveis, da apreensão das imagens (sem nunca poder interpretá-las adequadamente). O mundo somente é uma infinidade de possibilidades e de oportunidades para aqueles que sabem gerar novos conceitos, novas categorias, novas distinções, tendo, ademais, a capacidade de reconhecê-las e de utilizá-las com a máxima perfeição possível. Avante!

Comentários