LUIZ FLÁVIO GOMES
LUIZ FLÁVIO GOMES
Jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil (membro do MCCE). Estou no luizflaviogomes.com

Nos países de capitalismo evoluído e distributivo (os civilizados), com destaque para Dinamarca, Suécia, Noruega, Canadá, Coreia do Sul, Áustria etc., as mortes no trânsito são inferiores a 10 para cada 100 mil pessoas. Quanto mais bárbaro seja o capitalismo (selvagem e extrativista como o nosso), as mortes vão aumentando (China, Índia, Nigéria e Brasil são os que mais matam, em números absolutos). Segundo levantamento feito Instituto Avante Brasil, com os últimos dados disponíveis do Ministério da Saúde (Datasus), o número de mortes no trânsito (no Brasil), em 2011, teve aumento de 1% (42.844 mortes em 2010, contra 43.256, em 2011). São 22,6 óbitos para cada 100 mil habitantes (população de 190.755.799, conforme o IBGE). Esse morticínio teve crescimento médio anual de 2,75% entre 1980 e 2011. No período de 2001 a 2011, entretanto, o aumento anual foi de 3,78%.

Em 2010, de acordo com um relatório da ONU, se comparado com países de desenvolvimento econômico semelhante, como China, Índia, Rússia e África do Sul, o Brasil só está atrás da África do Sul. Quando comparado com países de maior renda e melhor civilidade, como EUA, Reino Unido e Japão, a diferença é brutal.

Em 32 anos (1980-2011) acumulamos 977.275 mortes no trânsito (incluindo todas as vítimas sobre trilhos, conforme o Mapa da Violência de 2013, chegamos a mais de 980 mil). Nesse período houve evolução de 117%, passando de 19.927, em 1980, para 43.256, em 2011. De 16,4 mortes para 100 mil pessoas em 1980 (19.927 mortes, para 121.150.573 habitantes), subimos para 19,7 em 1990 (28.574 mortes para 144.764.945 habitantes), baixamos para 17 em 2000 (28.995 mortes para 169.590.693 habitantes), subimos novamente para 22,4 em 2010 (42.844 mortes para 190.755.799 habitantes) e chegamos a 22,6 em 2011.

O delitômetro do Instituto Avante Brasil, que faz a projeção do número futuro de mortes, a partir da taxa de crescimento médio de 2,75%, entre os anos de 1980 e 2011, apontou que em 2014 podemos ter 48.349 mortes, ou seja, 6 mortes por hora (uma a cada 10 minutos). Se a taxa se mantiver estável na próxima década, é possível então prever que em 2024 teremos 70.071 mortes decorrentes de acidentes de trânsito, 5.839 mortes por mês, 192 mortes por dia e 8 mortes por hora, totalizando mais de 1 milhão e 700 mil mortes. O motorista é o grande responsável por essas mortes (conforme o portal TransitoBR, 75% dos acidentes decorrem de falha humana); problemas nos veículos 12%, vias deficientes, 6% e, outras causas, 7%.

As mortes no trânsito possuem 6 eixos: o Estado falha nos 5 primeiros (Educação, Engenharia, Fiscalização, Primeiros socorros e Punição) e ao motorista brasileiro falta civilidade (ética, educação, consciência, responsabilidade). Os motoristas, os carros e as estradas são, no Brasil do capitalismo bárbaro, armas de destruição massiva.

 Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.

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