LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Estou no professorLFG.com.br

 Por que o Brasil é um dos países mais violentos do planeta? Há muitos fatores que explicam isso. Um deles passa seguramente pela seguinte tese que se sugere: quanto mais elevado o desenvolvimento humano (IDH) menos desigualdade existe e quanto menos desigualdade menos violência acontece (e vice-versa: quanto menos desenvolvimento humano mais desigualdade e quanto mais desigualdade mais violência).

O Índice de Desenvolvimento Humano da ONU (IDH) serve de parâmetro para se aferir o grau de desenvolvimento (de tendencial civilização) de cada país, levando em conta os indicadores da educação (alfabetização e taxa de matrícula), da longevidade (esperança de vida ao nascer) e da renda individual (PIB per capita). Quatro são os grupos: (a) desenvolvimento humano muito elevado, (b) elevado, (c) médio e (d) baixo.

Vamos ao dado objetivo irrefutável que nos interessa: os quatro grupos contam, respectivamente, com a seguinte taxa média de homicídios: 1,8 mortes no primeiro grupo, 10,7 no segundo, 11,7 no terceiro e 13,9 no quarto. Para a OMS trata-se de violência epidêmica a que é igual ou superior a 10 mortes para cada 100 mil pessoas. Ou seja: apenas o primeiro grupo não conta com violência epidêmica. O Brasil, só para recordar, está no segundo grupo e é um dos cinco campeões em violência dentro deste grupo (27,1 assassinatos para cada 100 mil pessoas, em 2011). Vejamos:

Grupos IDH

 Esses números, considerados globalmente, nos autoriza estabelecer uma relação direta entre IDH, desigualdades e homicídios. Segunda correlação possível: eles também nos permitem diferenciar, dentro de cada grupo, os países que praticam o capitalismo avançado e redistributivo (Dinamarca, Suécia, Suíça, Noruega, Finlândia, Canadá, Japão, Coréia do Sul, Alemanha, Áustria etc.) daqueles que seguem o capitalismo retrógrado e desumanamente desigual (estacionário), como é o caso dos EUA. O Brasil, em suma, na 85ª posição do IDH e contando com a taxa anual de 27,1 assassinatos para cada 100 mil pessoas (2011), não é o 16º país mais violento do planeta por acaso.

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