Desonrosamente somos o campeão em assassinatos e mortes no trânsito

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LUIZ FLÁVIO GOMES. Estou no professorLFG.com.br*

Dentre os 10 países mais ricos do mundo (riqueza calculada pelo PIB), o Brasil é o campeão tanto em assassinatos dolosos como em mortes no trânsito. Isso deveria constituir uma desonra para o país e para os brasileiros. Aliás, somente no dia que começarmos a nos envergonhar da situação deplorável em que se encontra o país nessa área é que alguma coisa pode ser mudada. Temos que superar nosso estágio avançado de degeneração moral. Os chineses, alterando seu comportamento moral, aniquilaram em uma geração com a tradição milenar de amarrar os pés das chinesas. Fizeram uma revolução moral, que abarca tanto a transformação no comportamento moral como nos sentimentos morais (veja Kwame Anthony Appiah, 2012, p. 11). Dentro de algumas décadas, as futuras gerações olharão para trás e dirão: Como o Brasil conseguiu ser campeão em mortes durante tantos anos? Ninguém sentia vergonha? Com que conceito de honra eles viviam?

O levantamento foi feito pelo Instituto Avante Brasil, que analisou as 10 maiores economias do mundo: Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França, Brasil, Reino Unido, Rússia, Itália e Índia. Levou-se em conta o PIB, a posição no IDH em 2013, a taxa de homicídios dolosos e a taxa de mortes no trânsito de cada uma delas. Vejamos:

Maiores economias do mundo

Estados Unidos, Japão e Alemanha, países nas primeiras colocações no ranking do IDH, apresentam taxas de homicídios e mortalidade no trânsito bem distintas. O Japão, terceira maior economia do mundo e quinto lugar no ranking do IDH, apresentou, dentre todos os países, o menor índice de homicídios dolosos, 0,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes e a terceira menor taxa de mortes no trânsito, com 5,2 mortes por 100 mil habitantes.

A Alemanha, quarta maior economia e quinta colocada no ranking do IDH, acompanhando a tendência do Japão, registrou 0,8 homicídios para cada 100 mil habitantes e 4,7 mortes no trânsito por grupo de 100 mil habitantes. Já os Estados Unidos, a maior economia mundial (apresentando um PIB quase o dobro do PIB da China, segunda maior economia do mundo), e terceiro lugar no ranking do IDH, ao contrario, é responsável por uma taxa de homicídios relativamente alta, se comparada com a maioria dos países de desenvolvimento humano muito elevado, 4,7 mortes para cada 100 mil habitantes e uma taxa de mortes também muito alta, 11,4 mortes por 100 mil habitantes.

França, Itália e Reino Unido, quinta, nona e sétima melhores economias mundiais e colocados no IDH, respectivamente, apresentam taxas próximas de mortalidade violenta e no trânsito. A França, vigésima colocada no ranking do IDH, apresentou uma taxa de homicídios de 1,2 mortes por 100 mil habitantes e 6,4 mortes no trânsito em cada grupo de 100 mil pessoas. A Itália, vigésima quinta no ranking do IDH, apesar de uma baixa taxa de homicídios de 0,9 para cada 100 mil habitantes, no trânsito registrou 7,2 mortes para cada 100 mil habitantes. O Reino Unido mostrou-se seguro tanto em termos de violência urbana, apenas 1 morte para cada 100 mil habitantes, como no trânsito com 3,7 mortes por 100 mil habitantes.

Quatro dos cinco países que integram o Brics, grupo com grande potencial econômico, ocupando a sexta, a oitava, a décima e a segunda posição entre os mais ricos, Brasil, Rússia, Índia e China, apresentam algumas das mais altas taxas de homicídios e as mais altas taxas de mortes no trânsito entre os dez países mais ricos do mundo. Dentre os quatro, a China é o país com a menor taxa de homicídios, com 1 morte violenta para cada 100 mil pessoas, a Rússia 9,7 e a Índia 3,5 para cada 100 mil. Apresentando taxas altíssimas de mortes no trânsito, entre os quatro países, a menor taxa é a da Rússia, com 18,6 mortes para cada 100 mil habitantes, a Índia teve 18,9 mortes, enquanto a China chegou a 20,5.

Dentre os 10 países, as maiores taxas, tanto entre o número de mortes por homicídios intencionais como mortes no trânsito, ficam por conta do Brasil. O país, que em 2011 apresentou a altíssima taxa de 27, 1 mortes violentas para cada grupo de 100 mil pessoas, também chegou a 22,6 mortes no trânsito no mesmo grupo. São 270 mortes por dia (130 no trânsito e 140 intencionais), 6 por hora e uma a cada 10 minutos. Um dos países mais violentos do planeta.

Com o que um país como o Brasil deveria se preocupar? Com a ética e a moral (constituindo esta uma dimensão importante daquela): “Fazer o que devo aos outros faz parte do viver bem, e um dos traços característicos dos últimos séculos é o reconhecimento cada vez maior das obrigações de cada um de nós em relação [ao respeito] às outras pessoas” (Appiah, 2012, p. 14).

** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil

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LUIZ FLÁVIO GOMES. Estou no professorLFG.com.br*

 Dentre os 10 países mais ricos do mundo (riqueza calculada pelo PIB), o Brasil é o campeão tanto em assassinatos dolosos como em mortes no trânsito. Isso deveria constituir uma desonra para o país e para os brasileiros. Aliás, somente no dia que começarmos a nos envergonhar da situação deplorável em que se encontra o país nessa área é que alguma coisa pode ser mudada. Temos que superar nosso estágio avançado de degeneração moral. Os chineses, alterando seu comportamento moral, aniquilaram em uma geração com a tradição milenar de amarrar os pés das chineses. Fizeram uma revolução moral, que abarca tanto a transformação no comportamento moral como nos sentimentos morais (veja Kwame Anthony Appiah, 2012, p. 11). Dentro de algumas décadas, as futuras gerações olharão para trás e dirão: Como o Brasil conseguiu ser campeão em mortes durante tantos anos? Ninguém sentia vergonha? Com que conceito de honra eles viviam?

 O levantamento foi feito pelo Instituto Avante Brasil, que analisou as 10 maiores economias do mundo: Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França, Brasil, Reino Unido, Rússia, Itália e Índia. Levou-se em conta o PIB, a posição no IDH em 2013, a taxa de homicídios dolosos e a taxa de mortes no trânsito de cada uma deles. Vejamos:

 Homicidos e mortes no transito entra as maiores economias

Estados Unidos, Japão e Alemanha, países nas primeiras colocações no ranking do IDH, apresentam taxas de homicídios e mortalidade no trânsito bem distintas. O Japão, terceira maior economia do mundo e quinto lugar no ranking do IDH, apresentou, dentre todos os países, o menor índice de homicídios dolosos, 0,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes e a terceira menor taxa de mortes no trânsito, com 5,2 mortes por 100 mil habitantes.

 A Alemanha, quarta maior economia e quinta colocada no ranking do IDH, acompanhando a tendência do Japão, registrou 0,8 homicídios para cada 100 mil habitantes e 4,7 mortes no trânsito por grupo de 100 mil habitantes. Já os Estados Unidos, a maior economia mundial (apresentando um PIB quase o dobro do PIB da China, segunda maior economia do mundo), e terceiro lugar no ranking do IDH, ao contrario, é responsável por uma taxa de homicídios relativamente alta, se comparada com a maioria dos países de desenvolvimento humano muito elevado, 4,7 mortes para cada 100 mil habitantes e uma taxa de mortes também muito alta, 11,4 mortes por 100 mil habitantes.

 França, Itália e Reino Unido, quinta, nona e sétima melhores economias mundiais e colocados no IDH, respectivamente, apresentam taxas próximas de mortalidade violenta e no trânsito. A França, vigésima colocada no ranking do IDH, apresentou uma taxa de homicídios de 1,2 mortes por 100 mil habitantes e 6,4 mortes no trânsito em cada grupo de 100 mil pessoas. A Itália, vigésima quinta no ranking do IDH, apesar de uma baixa taxa de homicídios de 0,9 para cada 100 mil habitantes, no trânsito registrou 7,2 mortes para cada 100 mil habitantes. O Reino Unido mostrou-se seguro tanto em termos de violência urbana, apenas 1 mortes para cada 100 mil habitantes, como no trânsito com 3,7 mortes por 100 mil habitantes.

 Quatro dos cinco países que integram o Brics, grupo com grande potencial econômico, ocupando a sexta, a oitava, a décima e a segunda posição entre os mais ricos, Brasil, Rússia, Índia e China, apresentam algumas das mais altas taxas de homicídios e as mais altas taxas de mortes no trânsito entre os dez países mais ricos do mundo. Dentre os quatro, a China é o país com a menor taxa de homicídios, com 1 morte violenta para cada 100 mil pessoas, a Rússia 9,7 e a Índia 3,5 para cada 100 mil. Apresentando taxas altíssimas de mortes no trânsito, entre os quatro países, a menor taxa é a da Rússia, com 18,6 mortes para cada 100 mil habitantes, a Índia teve 18,9 mortes, enquanto a China chegou a 20,5.

 Dentre os 10 países, as maiores taxas, tanto entre o número de mortes por homicídios intencionais como mortes no trânsito, ficam por conta do Brasil. O país, que em 2011 apresentou a altíssima taxa de 27, 1 mortes violentas para cada grupo de 100 mil pessoas, também chegou a 22,6 mortes trânsito no mesmo grupo. São 270 mortes por dia (130 no trânsito e 140 intencionais), 6 por hora e uma a cada 10 minutos. Um dos países mais violentos do planeta.

 Com o que um país como o Brasil deveria se preocupar? Com a ética e a moral (constituindo esta uma dimensão importante daquela): “Fazer o que devo aos outros faz parte do viver bem, e um dos traços característicos dos últimos séculos é o reconhecimento cada vez maior das obrigações de cada um de nós em relação [ao respeito] às outras pessoas” (Appiah, 2012, p. 14).

** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil

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