LUIZ FLÁVIO GOMES
LUIZ FLÁVIO GOMES
Jurista e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil (membro do MCCE). Estou no luizflaviogomes.com

O Banco Mundial, adotando nova metodologia, divulgou em 30/4/14 que o Brasil é a sétima economia do mundo. O estudo considerou o ano de 2011 assim como o critério de paridade de poder de compra (PPP, na sigla em inglês), que é a melhor maneira de comparar o tamanho de diferentes economias, por refletir com mais precisão o custo de vida. As dez maiores potências econômicas são (na ordem): Estados Unidos, China, Índia, Japão, Alemanha, Rússia, Brasil, França, Reino Unido e Indonésia (Fonte: Banco Mundial: http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/04/30/ranking-do-banco-mundial-traz-brasil-como-a-7-maior-economia-do-mundo.htm).

Novidades e expectativas (no cenário econômico mundial): (1) a China (pela nova metodologia aplicada pelo Banco Mundial), em razão do seu acelerado crescimento, deve passar os EUA ainda este ano e vai se tornar a maior economia do mundo (repita-se: já em 2014) (entre 2005 e 2011, o PIB da China passou de 43,1% para 86,9% do PIB dos EUA); (2) a Índia passou da 10ª economia para o terceiro lugar (e desbancou o Japão, que foi para a quarta posição); (3) a Itália deixou o grupo “top ten”, tendo sido superada pela Indonésia.

Em 2005, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro equivalia a 12% do PIB norte-americano, segundo o relatório. Este número passou para 18% em 2011, considerando os novos critérios metodológicos. Com isso o Brasil assumiu a sétima posição na economia mundial. País rico, mas extremamente sanguinário, porque não promoveu a igualdade material, social e cultural, nem educou o seu povo adequadamente. Basta comparar os números do Brasil com os dos países “escandinavizados” (Noruega, Suécia, Islândia, Holanda, Coreia do Sul etc.) para se perceber o quanto ficamos para trás, o quanto erramos. Sem escolarização massiva de qualidade e sem aumento da renda per capita jamais seremos um país de primeiro mundo. Economia forte, assentada em pés de barro (povo analfabeto e inculto – ¾ são analfabetos funcionais, instituições fracas, altíssima concentração de renda, renda per capita ridícula – US$ 11 mil por ano – etc.).

A Revolução Francesa foi erigida sob a trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A burguesia ascendente, neste momento (1789), assumiu também o poder político. Levou a sério a sua liberdade (antes sujeita às intempéries dos reis e do clero) assim como a igualdade formal (perante a lei). Nunca se preocupou adequadamente com a igualdade material, tampouco com a fraternidade. Esse é o grande mal até hoje do modelo econômico brasileiro. Ele explica porque somos o que somos (7ª economia do mundo e, ao mesmo tempo, 15º país mais violento do planeta, tem 16 das 50 cidades mais sanguinárias do mundo, 53 mil assassinatos por ano…).

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