38% das mortes de mulheres no mundo são agredidas pelos parceiros


 LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e coeditor do portal atualidades do direito.com.br. Estou no facebook.com/blogdolfg*

Pesquisa global, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontou que mais de 35% das mulheres do mundo já experimentaram tanto violência física e/ou sexual partindo dos parceiros íntimos ou violência sexual de não-parceiros. Apesar de haver dezenas de maneiras que uma mulher poder sofrer violência, essa representa a maior proporção de mulheres no mundo.

 A pesquisa, realizada por meio de uma revisão sistemática, compilou dados de 2008 a 2011 a partir de bases de dados mundiais sobre a saúde e chegou à conclusão de que globalmente, por volta de 38% de todas as mortes de mulheres são agredidas por parceiros íntimos.

 A violência física é definida pela OMS como: ser golpeado ou ter contra você algo que fere, sendo empurrado ou pressionado, ser atacado com o pulso ou qualquer outra coisa que cause ferimentos, ser chutado, arrastado, espancado, enforcado ou queimado propositalmente e/ou ameaçado com armas de fogo, faca ou outra arma usada contra alguém.

 Já a violência sexual é definida pelo mesmo órgão como ser forçado fisicamente a praticar ato sexual quando não é da própria vontade, praticar ato sexual por medo do que o parceiro pode fazer e ser forçado a práticas sexuais que o individuo considera humilhante e degradante.

 A maior parte da violência é perpetrada por parceiros íntimos. No mundo todo, cerca de 30% de todas as mulheres que estiveram em um relacionamento já foram submetidas a algum tipo de violência física e/ou sexual pelos parceiros. Em algumas regiões, o total de mulheres que já passaram pela experiência atingem 38%.

 O Sudeste Asiático é a região na qual as mulheres estão mais expostas em sofrer algum tipo de violência. Nessa região, a prevalência de mulheres que sofreram algum tipo de violência física ou sexual em algum de seus relacionamentos amorosos durante a vida chegou a 37,7%, de acordo com a pesquisa. Na região do Mediterrâneo Oriental (região que compreende países como Iraque, Turquia, Palestina, Israel e também a Grécia) a taxa de violência física e sexual contra a mulher chega a 37%. Já na África, um dos continentes mais conhecidos pela violação da integridade física e sexual da mulher, chega a 36,6%. Nas Américas a taxa de violência contra mulher chegou a 29,6%, enquanto na Europa contabilizou 25,4% e no Pacífico 24,6%.

Veja o mapa da violência contra a mulher, de acordo com a O

Sem título 2

Segundo a OMS, a exposição de mulheres vítimas de violência entre 15 e 19 anos é muito alta (29,4%), o que sugere que a violência é iniciada cedo nos relacionamentos femininos. Contudo, a prevalência de violência contra a mulher se eleva progressivamente e atinge seu pico entre 40 e 44 anos (37,8%). A Organização aponta, ainda, que a baixa taxa de violência contra mulheres em idade acima dos 50 (entre 15% e 25%) não significa que entre essa faixa-etária a violência é menor, o grande problema normalmente é falta de dados desses grupos.

 Mundialmente, estima-se que 7% das mulheres já foram abusadas sexualmente por não-parceiros, mas hoje existem poucos dados sobre a influência da violência sexual na saúde da mulher quando abusada por não parceiros. Contudo, as evidências que existem revelam que mulheres que experimentaram essa forma de violência tem 2,3 vezes mais chances de vivenciar problemas com o álcool e 2,6 mais chances de sofrer de depressão e ansiedade. A África é a região na qual mais mulheres sofreram violência sexual por não-parceiros, 11,9%. As Américas registraram uma prevalência de 10,7%, no Pacífico Oeste, 5,2 na Europa e 4,9 no Sudeste Asiático.

 A grande dificuldade em mensurar os números da violência contra a mulher se deve ao fato de ainda existir um enorme preconceito sobre esse tipo de ação, causando desconforto e medo nas mulheres, que evitam fazer a denúncia. Na África, 45,6% das mulheres entrevistadas relataram ter denunciado os parceiros e não parceiros perpetradores da violência. No Sudeste Asiático esse número chegou a 40,2% e no Mediterrâneo Oriental a média da prevalência foi de 36,4%. Nas Américas o número de mulheres que reportarem seus casos chegou a 36,1%, no Oeste do Pacífico 27,9% e na Europa 27,2%.

 A violência sexual perpetrada por não-parceiros vem crescendo a cada dia e torna-se preocupante problema social, especialmente em zonas de conflito. Contudo, o estudo não abrangeu separadamente casos específicos nessas regiões, pois há dados disponíveis apenas para seis países das dezenas que hoje vivem em clima de guerra.

 De acordo com a OMS, 42% de todas as mulheres que já sofreram violência física e/ou sexual perpetradas por parceiros ou não-parceiros, sofreu também ferimentos de diferentes gravidades.

 O estudo aponta ainda que mulheres fisicamente ou sexualmente abusadas tem uma tendência maior a ter problemas de saúde. Calcula-se que 16% das mulheres, depois da violência, tem mais chance de dar à luz a bebês com peso abaixo do esperado. A chance de um aborto induzido em uma mulher que sofreu algum tipo de violência sexual é mais que o dobro de chance de uma mulher em outra situação. Também há quase o dobro de chances de alguém que foi violentada viver uma depressão, em relação a uma mulher que nunca vivenciou uma situação de violência semelhante.

 A vítima de violência também pode ter até 1,5 a mais de chance de contrair o vírus do HIV se comparada a mulheres que nunca sofreram violência, sendo que a maior parte dos casos reportados estavam nas regiões da África e do Sudeste Asiático, contudo esse dados pode ser inconsistentes, já que existem poucos estudos em outras regiões que enfoquem esse aspecto.

 Além de todos os traumas físicos e psicológicos que a vítima de abuso físico e sexual está sujeita, a estimativa de suicídios nessa população chega a 4,5%.

 A violência contra a mulher alcança patamares cada dia mais elevados, trazendo à tona a necessidade de uma atenção voltada não só para o trauma vivenciado por ela, mas principalmente pelo seu empoderamento mundial, colocando-a como agente social e não mais como mera expectadora de uma sociedade que há muito se guia através de um sistema patriarcal.

*Colaborou: Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.

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 LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista e coeditor do portal atualidades do direito.com.br. Estou no facebook.com/blogdolfg*

Pesquisa global, realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apontou que mais de 35% das mulheres do mundo já experimentaram tanto violência física e/ou sexual partindo dos parceiros íntimos ou violência sexual de não-parceiros. Apesar de haver dezenas de maneiras que uma mulher poder sofrer violência, essa representa a maior proporção de mulheres no mundo.

 A pesquisa, realizada por meio de uma revisão sistemática, compilou dados de 2008 a 2011 a partir de bases de dados mundiais sobre a saúde e chegou à conclusão de que globalmente, por volta de 38% de todas as mortes de mulheres são cometidas por parceiros íntimos.

 A violência física é definida pela OMS como: ser golpeado ou ter contra você algo que fere, sendo empurrado ou pressionado, ser atacado com o pulso ou qualquer outra coisa que cause ferimentos, ser chutado, arrastado, espancado, enforcado ou queimado propositalmente e/ou ameaçado com armas de fogo, faca ou outra arma usada contra alguém.

 Já a violência sexual é definida pelo mesmo órgão como ser forçado fisicamente a praticar ato sexual quando não é da própria vontade, praticar ato sexual por medo do que o parceiro pode fazer e ser forçado a práticas sexuais que o individuo considera humilhante e degradante.

 A maior parte da violência é perpetrada por parceiros íntimos. No mundo todo, cerca de 30% de todas as mulheres que estiveram em um relacionamento já foram submetidas a algum tipo de violência física e/ou sexual pelos parceiros. Em algumas regiões, o total de mulheres que já passaram pela experiência atingem 38%.

 O Sudeste Asiático é a região na qual as mulheres estão mais expostas em sofrer algum tipo de violência. Nessa região, a prevalência de mulheres que sofreram algum tipo de violência física ou sexual em algum de seus relacionamentos amorosos durante a vida chegou a 37,7%, de acordo com a pesquisa. Na região do Mediterrâneo Oriental (região que compreende países como Iraque, Turquia, Palestina, Israel e também a Grécia) a taxa de violência física e sexual contra a mulher chega a 37%. Já na África, um dos continentes mais conhecidos pela violação da integridade física e sexual da mulher, chega a 36,6%. Nas Américas a taxa de violência contra mulher chegou a 29,6%, enquanto na Europa contabilizou 25,4% e no Pacífico 24,6%.

Veja o mapa da violência contra a mulher, de acordo com a Organização Mundial da Saúde:

Sem título 2

De acordo com a OMS, a exposição de mulheres vítimas de violência entre 15 e 19 anos é muito alta (29,4%), o que sugere que a violência é iniciada cedo nos relacionamentos femininos. Contudo, a prevalência de violência contra a mulher se eleva progressivamente e atinge seu pico entre 40 e 44 anos (37,8%). A Organização aponta, ainda, que a baixa taxa de violência contra mulheres em idade acima dos 50 (entre 15% e 25%) não significa que entre essa faixa-etária a violência é menor, o grande problema normalmente é falta de dados desses grupos.

 Mundialmente, estima-se que 7% das mulheres já foram abusadas sexualmente por não-parceiros, mas hoje existem poucos dados sobre a influência da violência sexual na saúde da mulher quando abusada por não parceiros. Contudo, as evidências que existem revelam que mulheres que experimentaram essa forma de violência tem 2,3 vezes mais chances de vivenciar problemas com o álcool e 2,6 mais chances de sofrer de depressão e ansiedade. A África é a região na qual mais mulheres sofreram violência sexual por não-parceiros, 11,9%. As Américas registraram uma prevalência de 10,7%, no Pacífico Oeste, 5,2 na Europa e 4,9 no Sudeste Asiático.

 A grande dificuldade em mensurar os números da violência contra a mulher se deve ao fato de ainda existir um enorme preconceito sobre esse tipo de ação, causando desconforto e medo nas mulheres, que evitam fazer a denúncia. Na África, 45,6% das mulheres entrevistadas relataram ter denunciado os parceiros e não parceiros perpetradores da violência. No Sudeste Asiático esse número chegou a 40,2% e no Mediterrâneo Oriental a média da prevalência foi de 36,4%. Nas Américas o número de mulheres que reportarem seus casos chegou a 36,1%, no Oeste do Pacífico 27,9% e na Europa 27,2%.

 A violência sexual perpetrada por não-parceiros vem crescendo a cada dia e torna-se preocupante problema social, especialmente em zonas de conflito. Contudo, o estudo não abrangeu separadamente casos específicos nessas regiões, pois há dados disponíveis apenas para seis países das dezenas que hoje vivem em clima de guerra.

 De acordo com a OMS, 42% de todas as mulheres que já sofreram violência física e/ou sexual perpetradas por parceiros ou não-parceiros, sofreu também ferimentos de diferentes gravidades.

 O estudo aponta ainda que mulheres fisicamente ou sexualmente abusadas tem uma tendência maior a ter problemas de saúde. Calcula-se que 16% das mulheres, depois da violência, tem mais chance de dar à luz a bebês com peso abaixo do esperado. A chance de um aborto induzido em uma mulher que sofreu algum tipo de violência sexual é mais que o dobro de chance de uma mulher em outra situação. Também há quase o dobro de chances de alguém que foi violentada viver uma depressão, em relação a uma mulher que nunca vivenciou uma situação de violência semelhante.

 A vítima de violência também pode ter até 1,5 a mais de chance de contrair o vírus do HIV se comparada a mulheres que nunca sofreram violência, sendo que a maior parte dos casos reportados estavam nas regiões da África e do Sudeste Asiático, contudo esse dados pode ser inconsistentes, já que existem poucos estudos em outras regiões que enfoquem esse aspecto.

 Além de todos os traumas físicos e psicológicos que a vítima de abuso físico e sexual está sujeita, a estimativa de suicídios nessa população chega a 4,5%.

 A violência contra a mulher alcança patamares cada dia mais elevados, trazendo à tona a necessidade de uma atenção voltada não só para o trauma vivenciado por ela, mas principalmente pelo seu empoderamento mundial, colocando-a como agente social e não mais como mera expectadora de uma sociedade que há muito se guia através de um sistema patriarcal.

*Colaborou: Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.

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